Namaste!
Antes de mais peco desculpa pela demora, mas nao tem sido facil encontrar tempo para escrever no blog. Como se isso nao bastasse, da ultima vez que me sentei a frente de um computador apaguei quase todas as fotos que tinhamos das primeiras 2 semanas sem querer e com elas foi-se a minha motivacao para contar as novidades. Alguns dias passados desde o incidente e umas horinhas sem nada para fazer e penso que hoje o blog fica actualizado...
Antes de contar as peripecias em Darjeeling vou contextualizar a nossa situacao na altura. Lembram-se de termos contratado um motorista quando chegamos a Dehli porque tinhamos sido informados de que o hotel que tinhamos marcado estava cheio? Demorou alguns dias, mas chegamos a conclusao que tudo isso foi um esquema. Esta escrito no nosso guia tal e qual como acontece e nos caimos que nem uns patinhos!
Chegamos ao aeroporto em Dehli, um senhor muito simpatico oferece-nos os servicos do seu taxi e pergunta-nos se ja temos hotel. Nos dizemos que sim e ele e tao nosso amigo que ate oferece o telemovel para ligarmos ao hotel a confirmar a marcacao, so que e ele que marca o numero. Falamos com alguem que do outro lado nos diz que entretanto ja preencheram o nosso lugar no hotel porque chegamos mais tarde do que o previsto. Indignados, dizemos ao taxista para nos levar la na mesma e assim acontece (ou, pelo menos, pensamos que sim). So que o taxista "nao encontra" o hotel e "por acaso" para numa agencia de viagens para pedir indicacoes. Nessa agencia de viagens fazem-nos uma lavagem ao cerebro com pouca dificuldade dado o noss estado de choque durante as primeiras horas na India e vendem-nos o tal pacote motorista+hotel por nao-sei-quantos dias. So no fim desses dias com o Johny e que nos apercebemos da profundidade do esquema e de que tudo tinha comecado no aeroporto! Enfim, tambem nao foi nada de tragico e como nao vale a pena chorar sobre leite derramado simplesmente decidimos que nunca mais iriamos ser intrujados ou enganados por indiano algum! E agora e que comeca a parte gira...
...Aterramos em Bagdogra, prontos para comecar a segunda fase da viagem, desta feita por nossa conta e risco e, mal dizemos ao taxista que queremos ir para Darjeeling, ouvimos como resposta que Darjeeling esta em greve e que ao vale a pena ir ate la. "Em greve?!", pensamos nos, "estao a ver se nos enganam outra vez!" e rapidamente chegamos a conclusao de que nao havia greve nenhuma! Ops...
Dentro do jipe ia um casal que vive em Darjeeling e que em ingles que se perceba nos comeca a explicar que dois dias antes tinha havido motins em Darjeeling entre um partido politico e a policia e que devido a esses incidentes o tal partido tinha convocado uma greve geral que comecava hoje! De qualquer maneira eles descansaram-nos e disseram que nem tudo iria estar fechado e tambem que os turistas eram sempre deixados de parte nestas confusoes locais e que, assim sendo, nao era perigoso. Um outro senhor que tambem ia conosco no jipe foi muito simpatico, mostrou-nos onde morava em Darjeeling, disse-nos que era medico e que podiamos contar com a ajuda dele para o que precisassemos. Um pouco apreensivos, chegamos ao hotel que tinhamos marcado e so ai nos apercebemos do nosso problema. A partir das 6 horas desse dia comecava oficialmente a greve e nenhum jipe era autorizado a entrar/sair de Darjeeling. Sem saber quanto tempo a greve ia durar, corriamos o risco de ficar presos em Darjeeling com a cidade mais proxima a 20 kms! No hotel estavam ainda mais assustados que nos e tinham medo de se meter em problemas com o partido que convocou a greve por terem aceite turistas durante aqueles dias. So queriam que nos fossemos embora e a sugestao era fingirmos que alguem estava doente para sairmos de la de ambulancia. Decidimos aceitar o convite do medico e fomos a casa dele nessa noite para tentar perceber melhor o que se estava a passar e poder elaborar uma estrategia de fuga! Ficamos muito mais descansados quando falamos com ele. Disse-nos que o partido (Gorkha, e o nome) iria certamente arranjar-nos maneira de sair dali e que no caso de algo correr mal ele amanha trataria de nos arranjar um jipe para descer de volta a montanha. Fomos para o hotel e ainda tivemos tempo para subir ao terraco e aproveitar o ceu mais estrelado que ja vi na minha vida ao sabor do famoso cha de Darjeeling. Do topo da montanha podiamos ainda ver a cidade que, a noite, era uma infinidade de luzes encosta abaixo , tudo junto, uma visao indescritivel.
No dia seguinte acordamos decididos a sair dali o mais depressa possivel. Tinhamos de andar uma hora a pe ate a sede dos Gorkha e foi o que fizemos. Percebemos que estavamos no centro da "revolucao" quando comecam a passar carrinhas cheias de gente com paus e homens fardados. Entramos e, para nossa agradavel supresa, fomos logo muito bem recebidos. Um homem de oculos escuros aparentava ser o chefe ali da aldeia e, depois de falhada a tentativa de nos convencer a ficar, rapidamente escreveu um papel que nos dava autorizacao para sair. Fez um telefonema e tratou de nos arranjar transporte para baixo. Entretanto, fomos ficando por ali e ficamos a conhecer a causa dos locais. Estes queixam-se ha mais de um seculo de fazerem parte do estado de West Bengal, cuja capital e Calcuta, e que nada tem a ver com a realidade das montanhas. Sentem-se explorados porque aquela zona atrai muitos turistas e vende muito cha e pouco ou nada recebem em troca do governo estatal. Ficamos muito sensibilizados para com a sua causa e, como quem ve de fora, realmente aquelas pessoas de indianas ja tinham muito pouco. Os olhos ja particamente em bico e a cor da pele ja muito menos escura, pareciam mais ser nepaleses do que indianos. Para alem disso, foram impecaveis conosco e desejo que lhes concedam a vontade de ter um estado autonomo (ate porque estas greves nao tem piada nenhuma).
Entretanto estava um casal de holandeses na mesma situacao que nos e acabamos por partilhar o jipe. Durante a viagem de volta fomos jogando conversa fora e descobrimos que, tal como nos, tinham sido vitimas do mesmo esquema do aeroporto em Delhi.
Um verdadeiro filme indiano que, achavamos nos, acabaria quando chegassemos la a zona plana...
Continuacao ja a seguir!
Antes de mais peco desculpa pela demora, mas nao tem sido facil encontrar tempo para escrever no blog. Como se isso nao bastasse, da ultima vez que me sentei a frente de um computador apaguei quase todas as fotos que tinhamos das primeiras 2 semanas sem querer e com elas foi-se a minha motivacao para contar as novidades. Alguns dias passados desde o incidente e umas horinhas sem nada para fazer e penso que hoje o blog fica actualizado...
Antes de contar as peripecias em Darjeeling vou contextualizar a nossa situacao na altura. Lembram-se de termos contratado um motorista quando chegamos a Dehli porque tinhamos sido informados de que o hotel que tinhamos marcado estava cheio? Demorou alguns dias, mas chegamos a conclusao que tudo isso foi um esquema. Esta escrito no nosso guia tal e qual como acontece e nos caimos que nem uns patinhos!
Chegamos ao aeroporto em Dehli, um senhor muito simpatico oferece-nos os servicos do seu taxi e pergunta-nos se ja temos hotel. Nos dizemos que sim e ele e tao nosso amigo que ate oferece o telemovel para ligarmos ao hotel a confirmar a marcacao, so que e ele que marca o numero. Falamos com alguem que do outro lado nos diz que entretanto ja preencheram o nosso lugar no hotel porque chegamos mais tarde do que o previsto. Indignados, dizemos ao taxista para nos levar la na mesma e assim acontece (ou, pelo menos, pensamos que sim). So que o taxista "nao encontra" o hotel e "por acaso" para numa agencia de viagens para pedir indicacoes. Nessa agencia de viagens fazem-nos uma lavagem ao cerebro com pouca dificuldade dado o noss estado de choque durante as primeiras horas na India e vendem-nos o tal pacote motorista+hotel por nao-sei-quantos dias. So no fim desses dias com o Johny e que nos apercebemos da profundidade do esquema e de que tudo tinha comecado no aeroporto! Enfim, tambem nao foi nada de tragico e como nao vale a pena chorar sobre leite derramado simplesmente decidimos que nunca mais iriamos ser intrujados ou enganados por indiano algum! E agora e que comeca a parte gira...
...Aterramos em Bagdogra, prontos para comecar a segunda fase da viagem, desta feita por nossa conta e risco e, mal dizemos ao taxista que queremos ir para Darjeeling, ouvimos como resposta que Darjeeling esta em greve e que ao vale a pena ir ate la. "Em greve?!", pensamos nos, "estao a ver se nos enganam outra vez!" e rapidamente chegamos a conclusao de que nao havia greve nenhuma! Ops...
Dentro do jipe ia um casal que vive em Darjeeling e que em ingles que se perceba nos comeca a explicar que dois dias antes tinha havido motins em Darjeeling entre um partido politico e a policia e que devido a esses incidentes o tal partido tinha convocado uma greve geral que comecava hoje! De qualquer maneira eles descansaram-nos e disseram que nem tudo iria estar fechado e tambem que os turistas eram sempre deixados de parte nestas confusoes locais e que, assim sendo, nao era perigoso. Um outro senhor que tambem ia conosco no jipe foi muito simpatico, mostrou-nos onde morava em Darjeeling, disse-nos que era medico e que podiamos contar com a ajuda dele para o que precisassemos. Um pouco apreensivos, chegamos ao hotel que tinhamos marcado e so ai nos apercebemos do nosso problema. A partir das 6 horas desse dia comecava oficialmente a greve e nenhum jipe era autorizado a entrar/sair de Darjeeling. Sem saber quanto tempo a greve ia durar, corriamos o risco de ficar presos em Darjeeling com a cidade mais proxima a 20 kms! No hotel estavam ainda mais assustados que nos e tinham medo de se meter em problemas com o partido que convocou a greve por terem aceite turistas durante aqueles dias. So queriam que nos fossemos embora e a sugestao era fingirmos que alguem estava doente para sairmos de la de ambulancia. Decidimos aceitar o convite do medico e fomos a casa dele nessa noite para tentar perceber melhor o que se estava a passar e poder elaborar uma estrategia de fuga! Ficamos muito mais descansados quando falamos com ele. Disse-nos que o partido (Gorkha, e o nome) iria certamente arranjar-nos maneira de sair dali e que no caso de algo correr mal ele amanha trataria de nos arranjar um jipe para descer de volta a montanha. Fomos para o hotel e ainda tivemos tempo para subir ao terraco e aproveitar o ceu mais estrelado que ja vi na minha vida ao sabor do famoso cha de Darjeeling. Do topo da montanha podiamos ainda ver a cidade que, a noite, era uma infinidade de luzes encosta abaixo , tudo junto, uma visao indescritivel.
No dia seguinte acordamos decididos a sair dali o mais depressa possivel. Tinhamos de andar uma hora a pe ate a sede dos Gorkha e foi o que fizemos. Percebemos que estavamos no centro da "revolucao" quando comecam a passar carrinhas cheias de gente com paus e homens fardados. Entramos e, para nossa agradavel supresa, fomos logo muito bem recebidos. Um homem de oculos escuros aparentava ser o chefe ali da aldeia e, depois de falhada a tentativa de nos convencer a ficar, rapidamente escreveu um papel que nos dava autorizacao para sair. Fez um telefonema e tratou de nos arranjar transporte para baixo. Entretanto, fomos ficando por ali e ficamos a conhecer a causa dos locais. Estes queixam-se ha mais de um seculo de fazerem parte do estado de West Bengal, cuja capital e Calcuta, e que nada tem a ver com a realidade das montanhas. Sentem-se explorados porque aquela zona atrai muitos turistas e vende muito cha e pouco ou nada recebem em troca do governo estatal. Ficamos muito sensibilizados para com a sua causa e, como quem ve de fora, realmente aquelas pessoas de indianas ja tinham muito pouco. Os olhos ja particamente em bico e a cor da pele ja muito menos escura, pareciam mais ser nepaleses do que indianos. Para alem disso, foram impecaveis conosco e desejo que lhes concedam a vontade de ter um estado autonomo (ate porque estas greves nao tem piada nenhuma).
Entretanto estava um casal de holandeses na mesma situacao que nos e acabamos por partilhar o jipe. Durante a viagem de volta fomos jogando conversa fora e descobrimos que, tal como nos, tinham sido vitimas do mesmo esquema do aeroporto em Delhi.
Um verdadeiro filme indiano que, achavamos nos, acabaria quando chegassemos la a zona plana...
Continuacao ja a seguir!
Ola estamos suspensos do que virá a seguir..não demorem
ResponderEliminarpai apu
Olá a todos! Também fico a aguardar ansiosamente pelo resto da história. E nós cá a pensar que estava tudo bem (é o que dizem as vossas msg diárias, tão breves, que pouco dizem...; percebo, são acontecimentos tão intensos que não dá para contar a não ser no blog).
ResponderEliminarNunca mais na vossa vida vão esquecer esta viagem!
De resto, quanto à saúde tudo indica que têm estado bem, não é?
Aguardemos, pois, a continuação dos episódios...
Um beijo de saudades da mãe da Ana.