domingo, 5 de julho de 2009

O Quarto Mundo

Namaste!
Antes de comecarmos este muito aguardado (ou assim o esperamos...) post, vamos primeiro aos detalhes tecnicos:
- A partir deste momento vamos ignorar erros porque os teclados da india sao esquisitos e nao tem acentos e outras coisas giras
-Escrevemos com alguma pressa porque o senhor do aqui do hotel ja veio muito "educadamente" avisar que o uso de internet custa 60 rupias por hora
A viagem foi cansativa, ninguem conseguiu dormir practicamente nada nos avioes (a ansiedade nao possibilitou), mas foi muito bom termos voado de Londres para Delhi com a Air India. Em Lisboa tinha lido numa revista de viagens antiga que a experiencia de vir a India comecava no aviao e agora percebo porque: as hospedeiras usam saris, antes de servida a refeicao a pergunta e "indian or vegeterian?" e, acima de tudo, comecamos a sentir-nos diferentes num aviao que vai completamente cheio.
Um aeroporto incrivelmente pequeno e gasto foi a primeira surpresa, ja que Dehli tem a mesma quantidade de pessoas que um Portugal e meio.
A segunda foi o facto de nao estar absolutamente ninguem a nossa espera. Tinhamos combinado um airport pick-up com um hostel que estava marcado. Nao era problema porque ofertas de taxistas nao faltavam e um ate ofereceu o telemovel para fazermos uma chamada para o hostel a confirmar a marcacao.
A terceira surpresa nao tardou e nao queriamos acreditar quando do hostel nos disseram que nao havia marcacao, muito menos alguem a espera de nos, e tambem que o hostel estava cheio. Com 40 graus na rua e sem uma unica sombra (porque a capital da india e tao poluida que os raios do sol nao atravessam a camada de nevoiro cinzento a que eles chamam ceu), os primeiros momentos neste sub-continente nao estavam a correr bem.
Resolvemos apanhar um taxi para o hostel na mesma e dai logo se veria.
A primeira experiencia num taxi foi surreal. O transito neste pais e surreal. Os carros andam fora de mao como se fosse nada fosse, a buzina e usada como forma de comunicacao, piscas e travao de mao sao coisas que nao existem e, como se pode ver na foto abaixo, todos os camioes pedem para ser avisados da nossa presenca com um fantastico "blow horn" na parte de tras. Ja para nao falar das inumeras vacas, cabras, ovelhas, galinhas, caes, porcos, camelos, elefantes, enfim, todo um jardim zoologico que se passeia nas ruas da India a todo o momento. E o salve-se quem puder numa desorganizacao que no final de contas ate e bastante eficiente (700 kms de estrada e 0 acidentes ate agora).
Chegados a zona ao Main Bazaar em Delhi e nao encontramos o dito hostel. Nisto, dirigimo-nos a um posto de turismo onde um indiano que da pelo nome de Semi nos convidou a sentar. Disse-nos que era perfeitamente normal o que tinha acontecido e que ele podia ajudar-nos. Marcou-nos outro hostel e ofereceu-se para marcar tambem o comboio para Rishikesh no dia seguinte. O problema e que esse comboio tinha uma lista de espera de 42 pessoas e o proximo disponivel era so dai a 10 dias.
Nos nao queriamos ficar 10 dias ali. Estavamos chocados com a porcaria (nao ha outra palavra) que nos rodeava. Esta zona de Delhi nao tinha alcatrao, o lixo estava por todo o lado, a miseria a nossa volta era indiscritivel. Claramente nenhum de nos estava preparado para aquela realidade. O Semi parecia pouco confiavel a partida e estavamos a sentir-nos completamente perdidos. Por falta de alternativas resolvemos aceitar a sua proposta: contratar um motorista por 10 dias e visitar Agra e o Rajastao. De inicio estavamos um pouco confusos, mas rapidamente fomos convencidos de que a norte de Delhi pouco havia para ver (a reserva de tigres esta fechada nesta altura do ano e o Dalai Lama afinal nao bebe cafes com turistas) e que ir a Darjeeling era suficiente para ficar com uma boa ideia do melhor que ha nos Himalaias. 4 dias depois, e unanime que esta foi a melhor coisa que podiamos ter feito.
Basicamente, viemos rapidamente a descobrir que pouco dinheiro na India compra um verdadeiro anjo-da-guarda a tempo inteiro. Este senhor (agora o nosso melhor amigo indiano) chama-se Johnny e merece um paragrafo inteiro dedicado a ele. Chegados de para-quedas a este quarto mundo onde os turistas sao os alvos mais faceis para todos os tipos de esquemas possiveis e imaginarios, ter uma pessoa de confianca que nos ajuda a adaptar a este ambiente inospito em todos os aspectos e um bem precioso. Ele e o nosso motorista, guia, guarda-costas, moco de recados e conselheiro. Conduz devagarinho e pelo meio ainda diz umas piadas muito engracadas.
Entretanto enquanto ficamos em hoteis, ele dorme no carro. Enquanto vamos as compras, ele dorme no carro. Enquanto visitamos o Taj Mahal, ele dorme no carro. Aqui na India e um homem simples, honesto e trabalhador. Fala hindu, ingles, alemao e um pouco de italiano. Agora esta a aprender portugues. Ve se pelo turbante e bigode que e um homem Sikh (uma religiao que deriva do Hinduismo mas que representa apenas 2% da populacao).
Passamos um dia em Delhi, vimos um templo e pouco mais. No dia seguinte seguimos para Agra onde visitamos o Forte Vermelho e o Taj Mahal.
Para acabar, estamos agora em Jaipur, conhecida como a Pink City devido a cor caracteristica das casas nesta terra perdida no meio do Rajastao, amanha vamos para Pushkar e uns dias depois voltamos a Delhi para apanhar o voo para Bagdogra. Ai esperamos poder aproveitar os ensinamentos de Johnny para sobreviver tranquilamente nesta selva.
Agora fora de brincadeiras porque os pais ja devem estar assustados, o primeiro impacto e o que custa mais. Pouco tempo bastou para percebermos que, uma vez habituados a esta babilonia, os indianos sao no geral muito simpaticos e tratam-nos como se fossemos marajas. No Taj Mahal pediram-nos autografos e a porta do hotel fazem continencia!
Abaixo deixamos umas fotos porque estas falam mais que mil palavras: