Como prometido, aqui vai a continuacao da saga Darjeeling em greve...
Quando entramos no jipe que nos tiraria da confusao de Darjeeling, respiramos fundo como quem se prepara para um final de dia e noite tranquilos. Dirigiamo-nos para uma cidade chamada Siliguri, que serve basicamente de ponto de partida/chegada para as montanhas e ate tinhamos visto um hotel com boa pinta no Lonely Planet (tambem conhecido como o livro sagrado da nossa viagem).
Passei a primeira meia hora de viagem muito entretida a conversa com os nossos recentes amigos holandeses trocando historias indianas enquanto, la fora, caia a nossa primeira moncao. Durante a descida fomos inumeras vezes parados por grupos de homens com paus que bloqueavam a estrada devido a greve (parecem assustadores pela descricao mas na verdade eles nao metiam medo nenhum, diziam-nos "namaste" muito sorridentes e nos respondiamos com um "good luck" para conseguirem tao desejada independencia). O condutor mostrava o papel que nos autorizava a sair e tudo estava bem. Ate que paramos por outro motivo: um jipe tinha tido um acidente e estava virado de pernas para o ar numa encosta e o condutor estava morto. A partir daqui nao houve mais conversa dentro daquele jipe. Eu ia a janela e confesso que a tive sempre bem aberta para, no caso de haver algum problema, ser mais facil saltar ca para fora. Ate ja tinha combinado com o Chico, que ia ao meu lado, que o puxava ca para fora comigo! O Meg, que foi a maior parte do tempo na outra janela que dava para a encosta, foi um pouco de todas as cores e nao abriu a boca. Felizmente correu tudo bem, mas tenho a certeza que todos ganhamos algumas rugas naquela viagem impropria para cardiacos.
Chegamos a Siliguri, ja muito amigos dos holandeses, e decidimos ir todos para o tal hotel. Este estava cheio e os holandeses rapidamente se dirigiram para o hotel do lado e nos fomos atras. Um quarto de quatro custava 350 rupias, a volta de 5 euros, o que dava pouco mais de 1 euro a cada um. Entramos no quarto sem grande inspeccao as instalacoes e, para apenas uma noite, pareceu-nos suficiente. Alem disso depois do motorista e dos hoteis onde foram filmados filmes de Bollywood queriamos ser poupadinhos. Escusado sera dizer que tivemos o que merecemos.
Fomos jantar fora com os holandeses, ainda fomos beber uma cerveja a um bar a seguir e so chegamos ao quarto la para a meia noite. 33 segundos depois de entrarmos no quarto vimos a maior barata que ja tinha visto na minha vida. Aos 54 segundos alguem entrou na casa de banho e viu uma aranha daquelas peludas do tamanho duma palma da mao! A segunda barata gigante foi rapidamente avistada e foi ai que subi para uma cadeira. Eles ja tinham desenvolvido uma estrategia para as matar (o Chico segurava a lanterna, o Meg borrifava-as de repelente e o Oscar dava-lhes com o chinelo) e eu pensei que se fechassemos todas as janelas, tapassemos todos os buracos do quarto e matassemos as baratas que estavam la dentro seria possivel dormir umas horinhas que fossem. Eles ja tinham morto 3 baratas quando decidimos levantar o colchao de uma das camas e encontramos um ninho (!!!) de baratas entre duas farripas do estrado da cama. Nao vou comentar.
Estavamos cheios de sono e tentamos dormir mas as tentativas nao foram bem sucedidas. Eu pus-me dentro do saco-cama com um lenco na cara que quase nao me deixava respirar mas o quarto nao tinha ar-condicionado e penso que desisti quando a temperatura dentro do saco-cama passou os 55 graus. Eles nem puseram a hipotese de dormir dentro do saco-cama e tentaram ignorar o eco-sistema que estava a sua volta. Tambem nao conseguiram dormir e de 5 em 5 minutos alguem dava um salto a espernear sem razao aparente. Ainda eram 4 da manha quando decidimos que nao conseguiamos mais estar naquele sitio e comecamos a tomar banho para ir embora dali. Resumidamente, o pior sitio onde ja estive na minha vida e a qualquer pessoa que pense em ir a Siliguri o conselho que deixo e que invistam um pouco mais na dormida e evitem a todo o custo o hotel Taj. Ainda estamos para saber como foi a experiencia dos holandeses, saimos tao cedo de la que ja nao os voltamos a ver. Se calhar cairam na cama cheios de sono e nem repararam em nada!
Sair dali foi o maior alivio e nem me importei de nao ter dormido nada porque o proximo passo era ir ate a fronteira com o Nepal e apanhar um autocarro para Katmandu. Tinhamos tempo de sobra para dormir pela frente.
Na fronteira correu tudo como esperado, pagamos 30 dolares pelo visto cada um e apanhamos um autocarro que saia de Kakarbhitta as 5 horas da tarde e deveria chegar a Katmandu por volta das 8 da manha do dia seguinte. O autocarro era antigo e estava cheio de gente, especialmente no inicio da viagem porque, para alem das pessoas que pagam o bilhete completo e vao sentadas, durante as primeiras horas de viagem o condutor aproveita para "dar boleia" a outros que pagam quantias menores. Alguns ate pagavam em sacos de arroz e a porta do autocarro fechou-se pela primeira vez quando ja tinham passado mais de 3 horas de viagem. Parece mau mas andar de autocarro por estas bandas e uma experiencia unica e surpreendentemente confortavel. Estes autocarros antigos tem lugares espacosos e bancos fofinhos que encostam para tras o suficiente para se conseguir dormir! Depois da nossa ultima noite esta viagem veio mesmo a calhar e todos pusemos os sonos em dia!
Claro que nem tudo podia correr bem e como planeado, nao estivessemos nos no meio da Asia! Passava das 11 da manha (bem depois das 8 como nos tinham informado) e estavamos a 30 km de Katmandu quando o autocarro para numa fila interminavel na unica estrada que nos dava acesso a capital do Nepal. Um camiao tinha atropelado uma crianca e no Nepal, pelos vistos, quando isto acontece bloqueiam a estrada ate que alguem "compense" a familia pelo sucecidido. Nestas situacoes nao se sabe se o bloqueio vai demorar meia hora ou um dia e decidimos andar ate ao local do acidente e de la apanhar outro autocarro que nos levasse a cidade! Este plano mostrou-se muito produtivo, o acidente era so a 15 minutos a pe e rapidamente chegamos a Katmandu! Encontrar um hotel foi bastante facil e ficamos em Thamel, uma zona muito ocidentalizada de Katmandu, onde encontramos padarias com croissants e Alanis Morissette passa nas lojas.
Vindos da India, o Nepal pareceu-me o pais mais civilizado do mundo!...
Para responder as preocupacoes das maes, de saude estamos todos bem, ja estivemos todos mal mas nada de preocupante, apenas os contratempos normais e esperados de quem passa mais de 15 dias na India!
Temos comido bem, normalmente tomamos o pequeno almoco no hotel e almocamos e jantamos em restaurantes propostos pelo Lonely Planet. O Oscar e o mais aventureiro com o picante (eu sou a menos...), o Chico sempre que pode come massas ou piza ou e o Meg adorou os Momos tipicos do Tibete (frango picado enrolado numa massa)!
PS: Fotografias no proximo post que, se tudo correr bem, estara pronto a ser publicado amanha!
Namaste!
Quando entramos no jipe que nos tiraria da confusao de Darjeeling, respiramos fundo como quem se prepara para um final de dia e noite tranquilos. Dirigiamo-nos para uma cidade chamada Siliguri, que serve basicamente de ponto de partida/chegada para as montanhas e ate tinhamos visto um hotel com boa pinta no Lonely Planet (tambem conhecido como o livro sagrado da nossa viagem).
Passei a primeira meia hora de viagem muito entretida a conversa com os nossos recentes amigos holandeses trocando historias indianas enquanto, la fora, caia a nossa primeira moncao. Durante a descida fomos inumeras vezes parados por grupos de homens com paus que bloqueavam a estrada devido a greve (parecem assustadores pela descricao mas na verdade eles nao metiam medo nenhum, diziam-nos "namaste" muito sorridentes e nos respondiamos com um "good luck" para conseguirem tao desejada independencia). O condutor mostrava o papel que nos autorizava a sair e tudo estava bem. Ate que paramos por outro motivo: um jipe tinha tido um acidente e estava virado de pernas para o ar numa encosta e o condutor estava morto. A partir daqui nao houve mais conversa dentro daquele jipe. Eu ia a janela e confesso que a tive sempre bem aberta para, no caso de haver algum problema, ser mais facil saltar ca para fora. Ate ja tinha combinado com o Chico, que ia ao meu lado, que o puxava ca para fora comigo! O Meg, que foi a maior parte do tempo na outra janela que dava para a encosta, foi um pouco de todas as cores e nao abriu a boca. Felizmente correu tudo bem, mas tenho a certeza que todos ganhamos algumas rugas naquela viagem impropria para cardiacos.
Chegamos a Siliguri, ja muito amigos dos holandeses, e decidimos ir todos para o tal hotel. Este estava cheio e os holandeses rapidamente se dirigiram para o hotel do lado e nos fomos atras. Um quarto de quatro custava 350 rupias, a volta de 5 euros, o que dava pouco mais de 1 euro a cada um. Entramos no quarto sem grande inspeccao as instalacoes e, para apenas uma noite, pareceu-nos suficiente. Alem disso depois do motorista e dos hoteis onde foram filmados filmes de Bollywood queriamos ser poupadinhos. Escusado sera dizer que tivemos o que merecemos.
Fomos jantar fora com os holandeses, ainda fomos beber uma cerveja a um bar a seguir e so chegamos ao quarto la para a meia noite. 33 segundos depois de entrarmos no quarto vimos a maior barata que ja tinha visto na minha vida. Aos 54 segundos alguem entrou na casa de banho e viu uma aranha daquelas peludas do tamanho duma palma da mao! A segunda barata gigante foi rapidamente avistada e foi ai que subi para uma cadeira. Eles ja tinham desenvolvido uma estrategia para as matar (o Chico segurava a lanterna, o Meg borrifava-as de repelente e o Oscar dava-lhes com o chinelo) e eu pensei que se fechassemos todas as janelas, tapassemos todos os buracos do quarto e matassemos as baratas que estavam la dentro seria possivel dormir umas horinhas que fossem. Eles ja tinham morto 3 baratas quando decidimos levantar o colchao de uma das camas e encontramos um ninho (!!!) de baratas entre duas farripas do estrado da cama. Nao vou comentar.
Estavamos cheios de sono e tentamos dormir mas as tentativas nao foram bem sucedidas. Eu pus-me dentro do saco-cama com um lenco na cara que quase nao me deixava respirar mas o quarto nao tinha ar-condicionado e penso que desisti quando a temperatura dentro do saco-cama passou os 55 graus. Eles nem puseram a hipotese de dormir dentro do saco-cama e tentaram ignorar o eco-sistema que estava a sua volta. Tambem nao conseguiram dormir e de 5 em 5 minutos alguem dava um salto a espernear sem razao aparente. Ainda eram 4 da manha quando decidimos que nao conseguiamos mais estar naquele sitio e comecamos a tomar banho para ir embora dali. Resumidamente, o pior sitio onde ja estive na minha vida e a qualquer pessoa que pense em ir a Siliguri o conselho que deixo e que invistam um pouco mais na dormida e evitem a todo o custo o hotel Taj. Ainda estamos para saber como foi a experiencia dos holandeses, saimos tao cedo de la que ja nao os voltamos a ver. Se calhar cairam na cama cheios de sono e nem repararam em nada!
Sair dali foi o maior alivio e nem me importei de nao ter dormido nada porque o proximo passo era ir ate a fronteira com o Nepal e apanhar um autocarro para Katmandu. Tinhamos tempo de sobra para dormir pela frente.
Na fronteira correu tudo como esperado, pagamos 30 dolares pelo visto cada um e apanhamos um autocarro que saia de Kakarbhitta as 5 horas da tarde e deveria chegar a Katmandu por volta das 8 da manha do dia seguinte. O autocarro era antigo e estava cheio de gente, especialmente no inicio da viagem porque, para alem das pessoas que pagam o bilhete completo e vao sentadas, durante as primeiras horas de viagem o condutor aproveita para "dar boleia" a outros que pagam quantias menores. Alguns ate pagavam em sacos de arroz e a porta do autocarro fechou-se pela primeira vez quando ja tinham passado mais de 3 horas de viagem. Parece mau mas andar de autocarro por estas bandas e uma experiencia unica e surpreendentemente confortavel. Estes autocarros antigos tem lugares espacosos e bancos fofinhos que encostam para tras o suficiente para se conseguir dormir! Depois da nossa ultima noite esta viagem veio mesmo a calhar e todos pusemos os sonos em dia!
Claro que nem tudo podia correr bem e como planeado, nao estivessemos nos no meio da Asia! Passava das 11 da manha (bem depois das 8 como nos tinham informado) e estavamos a 30 km de Katmandu quando o autocarro para numa fila interminavel na unica estrada que nos dava acesso a capital do Nepal. Um camiao tinha atropelado uma crianca e no Nepal, pelos vistos, quando isto acontece bloqueiam a estrada ate que alguem "compense" a familia pelo sucecidido. Nestas situacoes nao se sabe se o bloqueio vai demorar meia hora ou um dia e decidimos andar ate ao local do acidente e de la apanhar outro autocarro que nos levasse a cidade! Este plano mostrou-se muito produtivo, o acidente era so a 15 minutos a pe e rapidamente chegamos a Katmandu! Encontrar um hotel foi bastante facil e ficamos em Thamel, uma zona muito ocidentalizada de Katmandu, onde encontramos padarias com croissants e Alanis Morissette passa nas lojas.
Vindos da India, o Nepal pareceu-me o pais mais civilizado do mundo!...
Para responder as preocupacoes das maes, de saude estamos todos bem, ja estivemos todos mal mas nada de preocupante, apenas os contratempos normais e esperados de quem passa mais de 15 dias na India!
Temos comido bem, normalmente tomamos o pequeno almoco no hotel e almocamos e jantamos em restaurantes propostos pelo Lonely Planet. O Oscar e o mais aventureiro com o picante (eu sou a menos...), o Chico sempre que pode come massas ou piza ou e o Meg adorou os Momos tipicos do Tibete (frango picado enrolado numa massa)!
PS: Fotografias no proximo post que, se tudo correr bem, estara pronto a ser publicado amanha!
Namaste!