sábado, 25 de julho de 2009

Uma noite bem passada...ou talvez nao!

Como prometido, aqui vai a continuacao da saga Darjeeling em greve...

Quando entramos no jipe que nos tiraria da confusao de Darjeeling, respiramos fundo como quem se prepara para um final de dia e noite tranquilos. Dirigiamo-nos para uma cidade chamada Siliguri, que serve basicamente de ponto de partida/chegada para as montanhas e ate tinhamos visto um hotel com boa pinta no Lonely Planet (tambem conhecido como o livro sagrado da nossa viagem).
Passei a primeira meia hora de viagem muito entretida a conversa com os nossos recentes amigos holandeses trocando historias indianas enquanto, la fora, caia a nossa primeira moncao. Durante a descida fomos inumeras vezes parados por grupos de homens com paus que bloqueavam a estrada devido a greve (parecem assustadores pela descricao mas na verdade eles nao metiam medo nenhum, diziam-nos "namaste" muito sorridentes e nos respondiamos com um "good luck" para conseguirem tao desejada independencia). O condutor mostrava o papel que nos autorizava a sair e tudo estava bem. Ate que paramos por outro motivo: um jipe tinha tido um acidente e estava virado de pernas para o ar numa encosta e o condutor estava morto. A partir daqui nao houve mais conversa dentro daquele jipe. Eu ia a janela e confesso que a tive sempre bem aberta para, no caso de haver algum problema, ser mais facil saltar ca para fora. Ate ja tinha combinado com o Chico, que ia ao meu lado, que o puxava ca para fora comigo! O Meg, que foi a maior parte do tempo na outra janela que dava para a encosta, foi um pouco de todas as cores e nao abriu a boca. Felizmente correu tudo bem, mas tenho a certeza que todos ganhamos algumas rugas naquela viagem impropria para cardiacos.
Chegamos a Siliguri, ja muito amigos dos holandeses, e decidimos ir todos para o tal hotel. Este estava cheio e os holandeses rapidamente se dirigiram para o hotel do lado e nos fomos atras. Um quarto de quatro custava 350 rupias, a volta de 5 euros, o que dava pouco mais de 1 euro a cada um. Entramos no quarto sem grande inspeccao as instalacoes e, para apenas uma noite, pareceu-nos suficiente. Alem disso depois do motorista e dos hoteis onde foram filmados filmes de Bollywood queriamos ser poupadinhos. Escusado sera dizer que tivemos o que merecemos.
Fomos jantar fora com os holandeses, ainda fomos beber uma cerveja a um bar a seguir e so chegamos ao quarto la para a meia noite. 33 segundos depois de entrarmos no quarto vimos a maior barata que ja tinha visto na minha vida. Aos 54 segundos alguem entrou na casa de banho e viu uma aranha daquelas peludas do tamanho duma palma da mao! A segunda barata gigante foi rapidamente avistada e foi ai que subi para uma cadeira. Eles ja tinham desenvolvido uma estrategia para as matar (o Chico segurava a lanterna, o Meg borrifava-as de repelente e o Oscar dava-lhes com o chinelo) e eu pensei que se fechassemos todas as janelas, tapassemos todos os buracos do quarto e matassemos as baratas que estavam la dentro seria possivel dormir umas horinhas que fossem. Eles ja tinham morto 3 baratas quando decidimos levantar o colchao de uma das camas e encontramos um ninho (!!!) de baratas entre duas farripas do estrado da cama. Nao vou comentar.
Estavamos cheios de sono e tentamos dormir mas as tentativas nao foram bem sucedidas. Eu pus-me dentro do saco-cama com um lenco na cara que quase nao me deixava respirar mas o quarto nao tinha ar-condicionado e penso que desisti quando a temperatura dentro do saco-cama passou os 55 graus. Eles nem puseram a hipotese de dormir dentro do saco-cama e tentaram ignorar o eco-sistema que estava a sua volta. Tambem nao conseguiram dormir e de 5 em 5 minutos alguem dava um salto a espernear sem razao aparente. Ainda eram 4 da manha quando decidimos que nao conseguiamos mais estar naquele sitio e comecamos a tomar banho para ir embora dali. Resumidamente, o pior sitio onde ja estive na minha vida e a qualquer pessoa que pense em ir a Siliguri o conselho que deixo e que invistam um pouco mais na dormida e evitem a todo o custo o hotel Taj. Ainda estamos para saber como foi a experiencia dos holandeses, saimos tao cedo de la que ja nao os voltamos a ver. Se calhar cairam na cama cheios de sono e nem repararam em nada!
Sair dali foi o maior alivio e nem me importei de nao ter dormido nada porque o proximo passo era ir ate a fronteira com o Nepal e apanhar um autocarro para Katmandu. Tinhamos tempo de sobra para dormir pela frente.
Na fronteira correu tudo como esperado, pagamos 30 dolares pelo visto cada um e apanhamos um autocarro que saia de Kakarbhitta as 5 horas da tarde e deveria chegar a Katmandu por volta das 8 da manha do dia seguinte. O autocarro era antigo e estava cheio de gente, especialmente no inicio da viagem porque, para alem das pessoas que pagam o bilhete completo e vao sentadas, durante as primeiras horas de viagem o condutor aproveita para "dar boleia" a outros que pagam quantias menores. Alguns ate pagavam em sacos de arroz e a porta do autocarro fechou-se pela primeira vez quando ja tinham passado mais de 3 horas de viagem. Parece mau mas andar de autocarro por estas bandas e uma experiencia unica e surpreendentemente confortavel. Estes autocarros antigos tem lugares espacosos e bancos fofinhos que encostam para tras o suficiente para se conseguir dormir! Depois da nossa ultima noite esta viagem veio mesmo a calhar e todos pusemos os sonos em dia!
Claro que nem tudo podia correr bem e como planeado, nao estivessemos nos no meio da Asia! Passava das 11 da manha (bem depois das 8 como nos tinham informado) e estavamos a 30 km de Katmandu quando o autocarro para numa fila interminavel na unica estrada que nos dava acesso a capital do Nepal. Um camiao tinha atropelado uma crianca e no Nepal, pelos vistos, quando isto acontece bloqueiam a estrada ate que alguem "compense" a familia pelo sucecidido. Nestas situacoes nao se sabe se o bloqueio vai demorar meia hora ou um dia e decidimos andar ate ao local do acidente e de la apanhar outro autocarro que nos levasse a cidade! Este plano mostrou-se muito produtivo, o acidente era so a 15 minutos a pe e rapidamente chegamos a Katmandu! Encontrar um hotel foi bastante facil e ficamos em Thamel, uma zona muito ocidentalizada de Katmandu, onde encontramos padarias com croissants e Alanis Morissette passa nas lojas.
Vindos da India, o Nepal pareceu-me o pais mais civilizado do mundo!...

Para responder as preocupacoes das maes, de saude estamos todos bem, ja estivemos todos mal mas nada de preocupante, apenas os contratempos normais e esperados de quem passa mais de 15 dias na India!
Temos comido bem, normalmente tomamos o pequeno almoco no hotel e almocamos e jantamos em restaurantes propostos pelo Lonely Planet. O Oscar e o mais aventureiro com o picante (eu sou a menos...), o Chico sempre que pode come massas ou piza ou e o Meg adorou os Momos tipicos do Tibete (frango picado enrolado numa massa)!

PS: Fotografias no proximo post que, se tudo correr bem, estara pronto a ser publicado amanha!

Namaste!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Darjeeling em greve!

Namaste!

Antes de mais peco desculpa pela demora, mas nao tem sido facil encontrar tempo para escrever no blog. Como se isso nao bastasse, da ultima vez que me sentei a frente de um computador apaguei quase todas as fotos que tinhamos das primeiras 2 semanas sem querer e com elas foi-se a minha motivacao para contar as novidades. Alguns dias passados desde o incidente e umas horinhas sem nada para fazer e penso que hoje o blog fica actualizado...

Antes de contar as peripecias em Darjeeling vou contextualizar a nossa situacao na altura. Lembram-se de termos contratado um motorista quando chegamos a Dehli porque tinhamos sido informados de que o hotel que tinhamos marcado estava cheio? Demorou alguns dias, mas chegamos a conclusao que tudo isso foi um esquema. Esta escrito no nosso guia tal e qual como acontece e nos caimos que nem uns patinhos!
Chegamos ao aeroporto em Dehli, um senhor muito simpatico oferece-nos os servicos do seu taxi e pergunta-nos se ja temos hotel. Nos dizemos que sim e ele e tao nosso amigo que ate oferece o telemovel para ligarmos ao hotel a confirmar a marcacao, so que e ele que marca o numero. Falamos com alguem que do outro lado nos diz que entretanto ja preencheram o nosso lugar no hotel porque chegamos mais tarde do que o previsto. Indignados, dizemos ao taxista para nos levar la na mesma e assim acontece (ou, pelo menos, pensamos que sim). So que o taxista "nao encontra" o hotel e "por acaso" para numa agencia de viagens para pedir indicacoes. Nessa agencia de viagens fazem-nos uma lavagem ao cerebro com pouca dificuldade dado o noss estado de choque durante as primeiras horas na India e vendem-nos o tal pacote motorista+hotel por nao-sei-quantos dias. So no fim desses dias com o Johny e que nos apercebemos da profundidade do esquema e de que tudo tinha comecado no aeroporto! Enfim, tambem nao foi nada de tragico e como nao vale a pena chorar sobre leite derramado simplesmente decidimos que nunca mais iriamos ser intrujados ou enganados por indiano algum! E agora e que comeca a parte gira...

...Aterramos em Bagdogra, prontos para comecar a segunda fase da viagem, desta feita por nossa conta e risco e, mal dizemos ao taxista que queremos ir para Darjeeling, ouvimos como resposta que Darjeeling esta em greve e que ao vale a pena ir ate la. "Em greve?!", pensamos nos, "estao a ver se nos enganam outra vez!" e rapidamente chegamos a conclusao de que nao havia greve nenhuma! Ops...
Dentro do jipe ia um casal que vive em Darjeeling e que em ingles que se perceba nos comeca a explicar que dois dias antes tinha havido motins em Darjeeling entre um partido politico e a policia e que devido a esses incidentes o tal partido tinha convocado uma greve geral que comecava hoje! De qualquer maneira eles descansaram-nos e disseram que nem tudo iria estar fechado e tambem que os turistas eram sempre deixados de parte nestas confusoes locais e que, assim sendo, nao era perigoso. Um outro senhor que tambem ia conosco no jipe foi muito simpatico, mostrou-nos onde morava em Darjeeling, disse-nos que era medico e que podiamos contar com a ajuda dele para o que precisassemos. Um pouco apreensivos, chegamos ao hotel que tinhamos marcado e so ai nos apercebemos do nosso problema. A partir das 6 horas desse dia comecava oficialmente a greve e nenhum jipe era autorizado a entrar/sair de Darjeeling. Sem saber quanto tempo a greve ia durar, corriamos o risco de ficar presos em Darjeeling com a cidade mais proxima a 20 kms! No hotel estavam ainda mais assustados que nos e tinham medo de se meter em problemas com o partido que convocou a greve por terem aceite turistas durante aqueles dias. So queriam que nos fossemos embora e a sugestao era fingirmos que alguem estava doente para sairmos de la de ambulancia. Decidimos aceitar o convite do medico e fomos a casa dele nessa noite para tentar perceber melhor o que se estava a passar e poder elaborar uma estrategia de fuga! Ficamos muito mais descansados quando falamos com ele. Disse-nos que o partido (Gorkha, e o nome) iria certamente arranjar-nos maneira de sair dali e que no caso de algo correr mal ele amanha trataria de nos arranjar um jipe para descer de volta a montanha. Fomos para o hotel e ainda tivemos tempo para subir ao terraco e aproveitar o ceu mais estrelado que ja vi na minha vida ao sabor do famoso cha de Darjeeling. Do topo da montanha podiamos ainda ver a cidade que, a noite, era uma infinidade de luzes encosta abaixo , tudo junto, uma visao indescritivel.
No dia seguinte acordamos decididos a sair dali o mais depressa possivel. Tinhamos de andar uma hora a pe ate a sede dos Gorkha e foi o que fizemos. Percebemos que estavamos no centro da "revolucao" quando comecam a passar carrinhas cheias de gente com paus e homens fardados. Entramos e, para nossa agradavel supresa, fomos logo muito bem recebidos. Um homem de oculos escuros aparentava ser o chefe ali da aldeia e, depois de falhada a tentativa de nos convencer a ficar, rapidamente escreveu um papel que nos dava autorizacao para sair. Fez um telefonema e tratou de nos arranjar transporte para baixo. Entretanto, fomos ficando por ali e ficamos a conhecer a causa dos locais. Estes queixam-se ha mais de um seculo de fazerem parte do estado de West Bengal, cuja capital e Calcuta, e que nada tem a ver com a realidade das montanhas. Sentem-se explorados porque aquela zona atrai muitos turistas e vende muito cha e pouco ou nada recebem em troca do governo estatal. Ficamos muito sensibilizados para com a sua causa e, como quem ve de fora, realmente aquelas pessoas de indianas ja tinham muito pouco. Os olhos ja particamente em bico e a cor da pele ja muito menos escura, pareciam mais ser nepaleses do que indianos. Para alem disso, foram impecaveis conosco e desejo que lhes concedam a vontade de ter um estado autonomo (ate porque estas greves nao tem piada nenhuma).
Entretanto estava um casal de holandeses na mesma situacao que nos e acabamos por partilhar o jipe. Durante a viagem de volta fomos jogando conversa fora e descobrimos que, tal como nos, tinham sido vitimas do mesmo esquema do aeroporto em Delhi.
Um verdadeiro filme indiano que, achavamos nos, acabaria quando chegassemos la a zona plana...

Continuacao ja a seguir!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Pushkar e Jodhpur

Namaste!
Pedimos desculpa pela demora, mas nao tem sido facil encontrar internet por estas bandas. Neste momento estamos em Siliguri, viemos ha pouco de Darjeeling e amanha seguimos para o Nepal.
Neste post vamos apenas falar do resto do Rajastao, mais precisamente Pushkar e Jodhpur, e amanha tentaremos falar de Darjeeling.
Pushkar e uma cidade pequena no meio do deserto mas muito turistica, por ser uma cidade sagrada para os Hindus. Tivemos a sorte de chegar num dia de lua cheia e por isso presenciar um ritual religioso que acontece todos os meses neste dia. A cidade tem um lago (nesta altura ainda meio vazio porque as chuvas ainda nao tinham comecado) e as pessoas atiram petalas de flores para a agua, uma por cada familiar/amigo/vizinho a quem queiram bem. Com uns canticos religiosos pelo meio, a cerimonia acaba com os locais a banharem-se no lago (so mesmo os locais e que tem estofo para tal, visto que o lago mais parecia a lixeira municipal).
De resto, foi neste local que experimentamos a tao falada viagem de camelo que superou todas as expectativas. Tirando o facto de nao termos estado propriamente num deserto (andamos apenas durante umas 4 horas, bem perto da cidade), visitamos os arredores de Pushkar que sao incrivelmente pobres mas ao mesmo tempo de uma beleza fascinante. Para alem disso, a experiencia incluia jantar que foi confeccionado na integra no local pelos nossos condutores. Por outras palavras, o pao foi amassado com as mesmas maos que momentos antes tocavam em camelos. Pormenores a parte, foi uma experiencia inesquecivel e Pushkar e certamente um sitio a visitar.





Jodhpur e ainda mais entranhado no meio do deserto e ate testemunhamos uma tempestade de areia, com direito a ter de ficar no hotel e tudo. E uma cidade muito menos turistica do que Pushkar e podemos ter muito mais contacto com o dia-a-dia dos seus habitantes tendo ate jogado futebol com uns miudos que brincavam na rua.
A vista do forte de Jodhpur explica bem o porque de esta cidade ser tambem conhecida por Blue City, como se pode ver na foto em baixo.
Por hoje e tudo e amanha vamos tentar publicar as fotos e relatos das grandes aventuras dos ultimos dois dias em Darjeeling!
Beijinhos e abracos para todos os nossos seguidores,
Namaste!



domingo, 5 de julho de 2009

O Quarto Mundo

Namaste!
Antes de comecarmos este muito aguardado (ou assim o esperamos...) post, vamos primeiro aos detalhes tecnicos:
- A partir deste momento vamos ignorar erros porque os teclados da india sao esquisitos e nao tem acentos e outras coisas giras
-Escrevemos com alguma pressa porque o senhor do aqui do hotel ja veio muito "educadamente" avisar que o uso de internet custa 60 rupias por hora
A viagem foi cansativa, ninguem conseguiu dormir practicamente nada nos avioes (a ansiedade nao possibilitou), mas foi muito bom termos voado de Londres para Delhi com a Air India. Em Lisboa tinha lido numa revista de viagens antiga que a experiencia de vir a India comecava no aviao e agora percebo porque: as hospedeiras usam saris, antes de servida a refeicao a pergunta e "indian or vegeterian?" e, acima de tudo, comecamos a sentir-nos diferentes num aviao que vai completamente cheio.
Um aeroporto incrivelmente pequeno e gasto foi a primeira surpresa, ja que Dehli tem a mesma quantidade de pessoas que um Portugal e meio.
A segunda foi o facto de nao estar absolutamente ninguem a nossa espera. Tinhamos combinado um airport pick-up com um hostel que estava marcado. Nao era problema porque ofertas de taxistas nao faltavam e um ate ofereceu o telemovel para fazermos uma chamada para o hostel a confirmar a marcacao.
A terceira surpresa nao tardou e nao queriamos acreditar quando do hostel nos disseram que nao havia marcacao, muito menos alguem a espera de nos, e tambem que o hostel estava cheio. Com 40 graus na rua e sem uma unica sombra (porque a capital da india e tao poluida que os raios do sol nao atravessam a camada de nevoiro cinzento a que eles chamam ceu), os primeiros momentos neste sub-continente nao estavam a correr bem.
Resolvemos apanhar um taxi para o hostel na mesma e dai logo se veria.
A primeira experiencia num taxi foi surreal. O transito neste pais e surreal. Os carros andam fora de mao como se fosse nada fosse, a buzina e usada como forma de comunicacao, piscas e travao de mao sao coisas que nao existem e, como se pode ver na foto abaixo, todos os camioes pedem para ser avisados da nossa presenca com um fantastico "blow horn" na parte de tras. Ja para nao falar das inumeras vacas, cabras, ovelhas, galinhas, caes, porcos, camelos, elefantes, enfim, todo um jardim zoologico que se passeia nas ruas da India a todo o momento. E o salve-se quem puder numa desorganizacao que no final de contas ate e bastante eficiente (700 kms de estrada e 0 acidentes ate agora).
Chegados a zona ao Main Bazaar em Delhi e nao encontramos o dito hostel. Nisto, dirigimo-nos a um posto de turismo onde um indiano que da pelo nome de Semi nos convidou a sentar. Disse-nos que era perfeitamente normal o que tinha acontecido e que ele podia ajudar-nos. Marcou-nos outro hostel e ofereceu-se para marcar tambem o comboio para Rishikesh no dia seguinte. O problema e que esse comboio tinha uma lista de espera de 42 pessoas e o proximo disponivel era so dai a 10 dias.
Nos nao queriamos ficar 10 dias ali. Estavamos chocados com a porcaria (nao ha outra palavra) que nos rodeava. Esta zona de Delhi nao tinha alcatrao, o lixo estava por todo o lado, a miseria a nossa volta era indiscritivel. Claramente nenhum de nos estava preparado para aquela realidade. O Semi parecia pouco confiavel a partida e estavamos a sentir-nos completamente perdidos. Por falta de alternativas resolvemos aceitar a sua proposta: contratar um motorista por 10 dias e visitar Agra e o Rajastao. De inicio estavamos um pouco confusos, mas rapidamente fomos convencidos de que a norte de Delhi pouco havia para ver (a reserva de tigres esta fechada nesta altura do ano e o Dalai Lama afinal nao bebe cafes com turistas) e que ir a Darjeeling era suficiente para ficar com uma boa ideia do melhor que ha nos Himalaias. 4 dias depois, e unanime que esta foi a melhor coisa que podiamos ter feito.
Basicamente, viemos rapidamente a descobrir que pouco dinheiro na India compra um verdadeiro anjo-da-guarda a tempo inteiro. Este senhor (agora o nosso melhor amigo indiano) chama-se Johnny e merece um paragrafo inteiro dedicado a ele. Chegados de para-quedas a este quarto mundo onde os turistas sao os alvos mais faceis para todos os tipos de esquemas possiveis e imaginarios, ter uma pessoa de confianca que nos ajuda a adaptar a este ambiente inospito em todos os aspectos e um bem precioso. Ele e o nosso motorista, guia, guarda-costas, moco de recados e conselheiro. Conduz devagarinho e pelo meio ainda diz umas piadas muito engracadas.
Entretanto enquanto ficamos em hoteis, ele dorme no carro. Enquanto vamos as compras, ele dorme no carro. Enquanto visitamos o Taj Mahal, ele dorme no carro. Aqui na India e um homem simples, honesto e trabalhador. Fala hindu, ingles, alemao e um pouco de italiano. Agora esta a aprender portugues. Ve se pelo turbante e bigode que e um homem Sikh (uma religiao que deriva do Hinduismo mas que representa apenas 2% da populacao).
Passamos um dia em Delhi, vimos um templo e pouco mais. No dia seguinte seguimos para Agra onde visitamos o Forte Vermelho e o Taj Mahal.
Para acabar, estamos agora em Jaipur, conhecida como a Pink City devido a cor caracteristica das casas nesta terra perdida no meio do Rajastao, amanha vamos para Pushkar e uns dias depois voltamos a Delhi para apanhar o voo para Bagdogra. Ai esperamos poder aproveitar os ensinamentos de Johnny para sobreviver tranquilamente nesta selva.
Agora fora de brincadeiras porque os pais ja devem estar assustados, o primeiro impacto e o que custa mais. Pouco tempo bastou para percebermos que, uma vez habituados a esta babilonia, os indianos sao no geral muito simpaticos e tratam-nos como se fossemos marajas. No Taj Mahal pediram-nos autografos e a porta do hotel fazem continencia!
Abaixo deixamos umas fotos porque estas falam mais que mil palavras:



















quarta-feira, 1 de julho de 2009

Saudades de um tempo que está para vir...


Buenos dias!

Estamos aqui a escrever no blog pela primeira vez, é espectaculare.
Como facilmente se percebe, este blog servirá o propósito de manter os nossos mais fiéis seguidores a par e passo da nossa aventura por caminhos da Índia.

Agora que o nosso countdown para a partida marca apenas 1 dia, estamos prontos para escrever o primeiro post. Queremos começar por explicar qual será o nosso trajecto ao longo das próximas 5 semanas:

Vamos aterrar em Nova Delhi, onde ficamos uma noite. A seguir queremos explorar o norte da capital, local onde experiências como fazer um safari de elefante em Rishikesh, conhecer o Dalai Lama em Dharamsala ou visitar o Golden Temple em Amritsar são possíveis.
Regressamos a Dehli, 10 dias depois, para apanhar um avião que nos deixará na região de West Bengal, mais precisamente em Bagdogra. O nosso objectivo é passar uns dias em Darjeeling e entrar no Nepal por esta fronteira. Visitamos Katmandu e Pokhara e queremos tentar ir também ao Tibete. Esta parte não está marcada no mapa porque só na altura é que saberemos se conseguimos visto para o Tibete e, pelo que consta, são grandes as probabilidades de isso não acontecer.
De volta a território indiano seguimos para Varanasi, a capital religiosa dos Hindus. Aqui a paisagem deve ser completamente diferente da que nos rodeou nas últimas semanas. Até agora, andámos principalmente por zonas Budistas nas montanhas, lugares provavelmente mais calmos do que as planícies do Ganges que transpiram vida.
Porque combinámos com dois dos membros da nossa arqui-viagem à Índia um encontro em Bombaim dia 27, hora aguarda confirmação, à porta do hostel "Maria Lodge", temos um deadline apertado, sendo que ainda queremos visitar Khajuraho e Bhopal no caminho. Isto torna difícil saber se vamos a Goa antes ou depois do reencontro.
Os últimos dias da viagem vão ser passados no deserto na zona do Rajastão, onde quermos ir a Udaipur, Jodhpur e Jaipur. Uma última paragem em Agra (ou arriscamo-nos a ir à India e não ver o Taj Mahal) e estamos em Nova Delhi à espera de apanhar o avião de volta.

563.398.052.587 indianos depois...



...estaremos de volta às nossas caminhas confortáveis, sem baratas, às comidas sem caril e sem picante e ao bom tempo, tendo sempre este blog para relembrar, com saudades, este tempo que está para vir.

Namasté,
o Grupo.